domingo, 20 de agosto de 2017

Arquitetura "0 e 1"


  Os números 0 e 1 podem ser interpretados de diversas formas. Quando analisamos com base na ideia de suas grandezas numéricos, a resposta encontrada parte do número zero ser associado a algo sem valor, enquanto o número um é ligado a concepção de algo relevante. Ou seja, os conceitos são polos totalmente opostos. Entretanto, após assistir um trecho recortado do vídeo Home of the brave, Laurie Anderson, foi possível ter outra visão para ambos os números. No fragmento acompanhado, a artista mostra como na informática o zero e o um, ou como também conhecidos, o código binário, possuem o mesmo prestígio, pois, juntos e com as mais variadas combinações, formam toda a informação do meio virtual e eletrônico. 
     Relacionando a polarização do zero e do um e também o conceito além desse pensamento, foi possível perceber e vincular essas ideias com a arquitetura e a sociedade moderna. Um exemplo dado pelos professores da arquitetura polarizada, seria a questão da obra arquitetônica paramétrica. Com o advento da tecnologia em diversos softwares voltados à construção, o resultado arquitetônico deixa de existir a partir dos procedimentos comuns e passa a ser desenvolvido a partir de parâmetros (e por isso o nome) diversos, sem que haja o contato humano, principalmente o diálogo, entre os envolvidos: cliente e fornecedor. 
      Para pensar "além do zero e um" e acreditar que a tecnologia pode e deve beneficiar a arquitetura ao invés de proporcionar seu fim, os arquitetos devem pensar em novas formas e meios de produzir arquitetura. Para isso, é necessário reviver a "lógica do diálogo e sair do post", ou seja, promover a interação entre as partes para além das "curtidas", mas também os comentários, críticas e renovações de ideias, usando a tecnologia como ferramenta, não como objeto principal. 

sábado, 19 de agosto de 2017

A diferença entre roupa e arquitetura

      Apesar da associação parecer estranha em primeira análise, a arquitetura e a roupa possuem conexões em vários aspectos. Podemos relacionar ambas à proteção, à manifestação de interesses, ao status social, ao conforto e vários outros aspectos. Se voltarmos um pouco na história, percebe-se também o vínculo da adaptação à moradia e o hábito de vestimentas no período neolítico. Nesse estágio da pré-história, os seres humanos passaram pelo processo de sedentarização (por conveniência de proteção e cultivo da agricultura) e adaptação de suas vestimentas de acordo com suas necessidades. Apesar de todas as semelhanças e associações serem coerentes, a pergunta é: qual seria a diferença entre a roupa e a arquitetura? Podemos relacionar a Arquitetura como um processo permanente, ou seja, é um procedimento em crescimento e que evolui de acordo com a necessidade, enquanto a roupa (relacionando também a moda), é um processo em constante mudança e retorno, isto é, o estilo e as escolhas "vem e vão" com muita frequência. Dessa forma, acredito que essa seja a principal diferença entre os dois elementos: a permanência na arquitetura e a variação na moda. 

Parágrafo sobre o texto "Animação cultural" de Vilém Flusser

   
     A conscientização da superioridade dos objetos sobre os humanos existe desde a criação e início da sobrevivência do homem. Entretanto, mesmo sendo visualizado melhor nos dias atuais, o ego sempre se fez presente na vida humana e isso gerou o sentimento de repressão relacionado a sua inferioridade sob os objetos inanimados. É possível perceber na sociedade atual que cada vez mais o ser pensante se faz refém do objeto, aquele que torna a vida animada pela simples ideia da humanidade comportar em sua função. Ou seja, como Flusser aborda no texto e a aluna Renata em seu parágrafo, o processo de inversão da relação "homem-objeto" já se iniciou e está cada vez mais presente na sociedade. Essa prática de dependência pode ser observada na segunda fase da revolução industrial (século XIX), como observado pelo aluno Bergsthem, com a criação dos relógios. Naquele momento, o proletariado precisava viver em serventia do objeto que media seu ciclo de trabalho e lucro diário. Atualmente, a evolução tecnológica fez com que surgisse o símbolo da obediência: o celular. Visto que, sendo tão indispensável, mostra como o ser humano pode viver em função de algo: compromissos, horários, comunicação e conhecimento; toda sua rotina em um pequeno objeto portátil. Assim, a humanidade começa a acreditar e aceitar que seu comportamento cultural existe, e provém, do propósito e finalidade do objeto em sua vida.