quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Performance e estratégias de apropriação do espaço.



O que é performance? 

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De acordo com o dicionário, pode ser definida como atuação, desempenho. Entretanto, fugindo da definição concreta da palavra, é muito difícil definir a performance como o que ela é, visto que são formas de expressão corporal. Diferente do teatro ou da dança, na performance a apresentação desconstrói a representação e pode gerar a dúvida e confusão entre os espectadores. É o uso do corpo em arte, como lugar e como um meio expressivo, materialização do que se quer experimentar. 



Estratégias de apropriação do espaço

  • Parkour

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O parkour pode ser definido como a prática de ir de um ponto a outro de forma mais rápida e estratégica. É uma técnica que usa das habilidades do ser humano para transpor obstáculos do ambiente, como se estivesse em fuga. Os praticantes são chamado de traceur e os movimentos podem também ser classificados como uma forma de desenvolver a autonomia do corpo e da mente sobre os desafios do dia-a-dia.

  • Deriva

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A deriva pode ser definida como uma técnica ininterrupta através de diversos ambientes. É uma teoria desenvolvida pelo pensador Guy Debord. O conceito está ligado ao estudo psicogeográfico, que são as ações no meio urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. A prática relaciona-se com um comportamento lúdico e construtivo do ser humano, que parte de um lugar comum e deixa com que o meio, neste caso, o meio urbano, ajude e crie um caminho próprio. A deriva compreende as possibilidades a partir das variáveis psicogeográficas e o deixar-se levar pela zonas psíquicas que conduzem e levam o ser humano a ter sensações e sentimentos que podem ser agradáveis ou não, mas que irá determinar o caminho e rumo a seguir.


  • Flaneur

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O termo flaneur vem do frânces e pode significar "errante", "vadio", "caminhante" ou "observador". O poeta frânces Charles Baudelaire desenvolveu um significado além da definição concreta da palavra flaneur, que pode ser dita como "uma pessoa que anda pela cidade a fim de experimentá-la". Aparentemente parece ser um movimento inconsequente, mas está diretamente relacionado com a observação espacial, das pessoas e do que ocorre. A prática do flaneur seria então, a observação sob novas perspectivas, não óbvias, a fim de que haja experimentação e sensações.

  • Rolezinhos


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Os rolezinhos são encontros, marcados por meio de eventos online, de uma multidão adolescente em espaços públicos ou shoppings centers. Em sua maioria são jovens de classe baixa, negros e andam sempre em bandos. O incômodo surgiu pela baderna promovida por esses jovens, pelo som alto do funk ostentação, conversas e risos volumosos e alguns casos de depredações e furtos. Há uma repressão policial e social envolvida, o que enfatiza a segregação promovida nesses locais e a desigualdade racial e econômica. Difundido como um movimento de desordem, houve repudio por parte dos frequentadores locais, resultado de um certo medo e receio de maior confusão e ocupação do espaço por essa multidão vista como baderneira. 
  • Flash mob
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O Flash mob é um movimento, principalmente promovido por meio da dança, de uma ação aparentemente inusitada, porém, previamente combinada e que no fim se dispersam tão rapidamente e aleatoriamente como quando deram o início. Normalmente são realizados em espaços com grande movimento e fluxo de pessoas, pois em sua maioria querem passar uma mensagem, representar um protesto ou uma homenagem.


  • Skateboarding 

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Criado em Los Angeles - California na década de 60, o skateboarding é uma pratica esportiva que nasceu da ideia de surfistas que queriam conseguir reproduzir as manobras do surf nas ruas. A atividade constitui em junções de manobras sobre um skate (prancha de madeira -shape- com quatro rodinhas). Pode ser praticado nas ruas, pistas de skate, praças e qualquer lugar potencial. Possui três modalidades principais: street (praticado nas ruas), freestyle (conjunto de manobras no chão) e vertical (praticados nas pistas em formato de U). O arquiteto e professor Iain Borden explora como a arquitetura e as cidades são experimentadas e reutilizadas pelo público. Em particular, o professor pesquisa e estuda a prática urbana do skateboarding, observando como os praticantes -skateboarders- adotam as cidades modernas como uma terra prazerosa e cheia de desejos a partir da cultura de suas roupas, atitudes e ações.



Referências
  • O que é performance? Disponível em: <https://superficiedosensivel.wordpress.com/o-que-e-performance/>. 
  • O que são Flash Mobs!? Disponível em: <http://www.naosalvo.com.br/o-que-sao-flash-mobs/>. 
  • O que é Parkour? Disponível em: <http://www.tracer.com.br/parkour/>. 
  • O que é Parkour? Disponível em: <https://mundoestranho.abril.com.br/esporte/o-que-e-parkour/>. 
  • Entenda o que são os rolezinhos e a repercussão que causaram na internet. Disponível em: <http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2014/01/entenda-o-que-sao-os-rolezinhos-e-a-repercussao-que-causaram-na-internet-4390554.html>. 
  • O que é flâneur? Disponível em: <http://caroltsv.blogspot.com.br/2009/03/o-que-e-flaneur-o-termo-flaneur-vem-do.html> 
  • O rolezinho e a desumanização dos pobres. Disponível em: <https://super.abril.com.br/comportamento/o-rolezinho-e-a-desumanizacao-dos-pobres/>. 
  • Skateboard. Disponível em: <https://www.suapesquisa.com/o_que_e/skateboard.htm>. 
  • Prof Iain Borden. Disponível em: <https://www.ucl.ac.uk/bartlett/architecture/prof-iain-borden>. 
  • Flash mob - o que é? Disponível em: <http://www.mundodadanca.art.br/2011/05/flash-mob-o-que-e.html>. 
  • TERRA ROXA E OUTRAS TERRAS: Homem da multidão e o flâneur no conto “O homem da multidão” de Edgar Allan Poe. São Paulo, 2008. Disponível em: <http://www.uel.br/pos/letras/terraroxa/g_pdf/vol12/TRvol12f.pdf>. 
  • DEBORD, Guy. Teoria da Deriva. Disponível em: <http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Teoria_da_Deriva>.


domingo, 20 de agosto de 2017

Arquitetura "0 e 1"


  Os números 0 e 1 podem ser interpretados de diversas formas. Quando analisamos com base na ideia de suas grandezas numéricos, a resposta encontrada parte do número zero ser associado a algo sem valor, enquanto o número um é ligado a concepção de algo relevante. Ou seja, os conceitos são polos totalmente opostos. Entretanto, após assistir um trecho recortado do vídeo Home of the brave, Laurie Anderson, foi possível ter outra visão para ambos os números. No fragmento acompanhado, a artista mostra como na informática o zero e o um, ou como também conhecidos, o código binário, possuem o mesmo prestígio, pois, juntos e com as mais variadas combinações, formam toda a informação do meio virtual e eletrônico. 
     Relacionando a polarização do zero e do um e também o conceito além desse pensamento, foi possível perceber e vincular essas ideias com a arquitetura e a sociedade moderna. Um exemplo dado pelos professores da arquitetura polarizada, seria a questão da obra arquitetônica paramétrica. Com o advento da tecnologia em diversos softwares voltados à construção, o resultado arquitetônico deixa de existir a partir dos procedimentos comuns e passa a ser desenvolvido a partir de parâmetros (e por isso o nome) diversos, sem que haja o contato humano, principalmente o diálogo, entre os envolvidos: cliente e fornecedor. 
      Para pensar "além do zero e um" e acreditar que a tecnologia pode e deve beneficiar a arquitetura ao invés de proporcionar seu fim, os arquitetos devem pensar em novas formas e meios de produzir arquitetura. Para isso, é necessário reviver a "lógica do diálogo e sair do post", ou seja, promover a interação entre as partes para além das "curtidas", mas também os comentários, críticas e renovações de ideias, usando a tecnologia como ferramenta, não como objeto principal. 

sábado, 19 de agosto de 2017

A diferença entre roupa e arquitetura

      Apesar da associação parecer estranha em primeira análise, a arquitetura e a roupa possuem conexões em vários aspectos. Podemos relacionar ambas à proteção, à manifestação de interesses, ao status social, ao conforto e vários outros aspectos. Se voltarmos um pouco na história, percebe-se também o vínculo da adaptação à moradia e o hábito de vestimentas no período neolítico. Nesse estágio da pré-história, os seres humanos passaram pelo processo de sedentarização (por conveniência de proteção e cultivo da agricultura) e adaptação de suas vestimentas de acordo com suas necessidades. Apesar de todas as semelhanças e associações serem coerentes, a pergunta é: qual seria a diferença entre a roupa e a arquitetura? Podemos relacionar a Arquitetura como um processo permanente, ou seja, é um procedimento em crescimento e que evolui de acordo com a necessidade, enquanto a roupa (relacionando também a moda), é um processo em constante mudança e retorno, isto é, o estilo e as escolhas "vem e vão" com muita frequência. Dessa forma, acredito que essa seja a principal diferença entre os dois elementos: a permanência na arquitetura e a variação na moda. 

Parágrafo sobre o texto "Animação cultural" de Vilém Flusser

   
     A conscientização da superioridade dos objetos sobre os humanos existe desde a criação e início da sobrevivência do homem. Entretanto, mesmo sendo visualizado melhor nos dias atuais, o ego sempre se fez presente na vida humana e isso gerou o sentimento de repressão relacionado a sua inferioridade sob os objetos inanimados. É possível perceber na sociedade atual que cada vez mais o ser pensante se faz refém do objeto, aquele que torna a vida animada pela simples ideia da humanidade comportar em sua função. Ou seja, como Flusser aborda no texto e a aluna Renata em seu parágrafo, o processo de inversão da relação "homem-objeto" já se iniciou e está cada vez mais presente na sociedade. Essa prática de dependência pode ser observada na segunda fase da revolução industrial (século XIX), como observado pelo aluno Bergsthem, com a criação dos relógios. Naquele momento, o proletariado precisava viver em serventia do objeto que media seu ciclo de trabalho e lucro diário. Atualmente, a evolução tecnológica fez com que surgisse o símbolo da obediência: o celular. Visto que, sendo tão indispensável, mostra como o ser humano pode viver em função de algo: compromissos, horários, comunicação e conhecimento; toda sua rotina em um pequeno objeto portátil. Assim, a humanidade começa a acreditar e aceitar que seu comportamento cultural existe, e provém, do propósito e finalidade do objeto em sua vida.